O Mecanismo de Crédito do Acordo de Paris (PACM) foi criado para garantir a emissão de créditos de carbono de alta qualidade.
Com isso em mente, foi aprovado seu primeiro plano: uma iniciativa em Mianmar que distribui fogões eficientes energeticamente para comunidades que dependem de fogo de lenha.

Apesar da mudança para fogões sustentáveis ter o potencial de mitigar o desmatamento e as emissões de gases de efeito estufa, analistas em carbono têm apontado suas críticas sobre a metodologia utilizada, apontando falhas significativas.
O plano foi desenvolvido sob diretrizes da organização Gold Standard, que foi questionada por não levar em conta corretamente a “biomassa não renovável”.
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Isso acontece porque os desenvolvedores do projeto foram incentivados a subestimar a quantidade de madeira sustentável, inflando os benefícios climáticos do projeto.
A Calyx Global, avaliadora independente, classificou o plano no nível mais baixo de sua escala, destacando a fraqueza dessa abordagem.
Ademais, a iniciativa destaca um desafio mais amplo enfrentado pelo PACM: a pressão de países como China e Índia para que créditos gerados por projetos antigos, como os do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), possam ser implementados na nova metodologia.
Sendo assim, essa transição está gerando questionamentos de que projetos com baixa integridade, como o de Mianmar, possam ser aprovados antes da implementação de regras mais rigorosas, previstas para o final deste ano.
Contudo, especialistas como Lambert Schneider, do Oeko-Institut, esperam que as futuras regras do PACM imponham critérios mais estritos para garantir a qualidade dos créditos de carbono.
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Portanto, a busca por transparência e integridade no mercado de carbono continua sendo um desafio, e os compradores precisam estar atentos à origem dos créditos para evitar apoiar projetos com impacto ambiental limitado.
Relação com o Projeto Mejuruá
Iniciativas como o Projeto Mejuruá da BR ARBO apontam o potencial da conservação florestal amazônica para atingirem as metas sustentáveis, sendo considerado um projeto de viés ambiental.
Projetos como o Mejuruá contribuem para o mercado de carbono global ao preservar ecossistemas, beneficiando tanto o meio ambiente quanto a economia local, alinhando-se com a perspectiva de transição para uma economia mais sustentável.
Ana Carolina Turessi